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José Pedro lamenta má finalização

Capitão parou no treino de ontem, por precaução, mas defrontará o Oriental para a TaçaJosé Pedro não se treinou ontem por precaução. O capitão sofreu uma pancada numa perna e foi poupado, porém a sua participação no jogo da Taça de Portugal, frente ao Oriental, não está em causa.Em jeito de avaliação ao percurso da equipa neste início de campeonato, José Pedro reconhece que a ineficácia na finalização tem sido o problema da equipa.— À excepção de dois jogos, não temos sofridos muitos golos. Falta-nos aproveitar as ocasiões que temos criado.A paragem do camaronês Yontcha (foi ontem operado ao joelho direito), referência no ataque do Restelo, é uma baixa a lamentar.«Esperamos que recupere depressa. Faz-nos falta, mas o plantel é equilibrado e contamos com o Fredy, o Lima, o Ivan e o Freddy Adu», lembrou José Pedro.- " José Pedro fez apenas corridaJosé Pedro voltou a não estar às ordens do treinador do Belenenses, João Carlos Pereira, tendo feito apenas corrida, fruto de uma pancada na coxa.Assim, o médio poderá ser poupado na próxima partida com o Oriental, a contar para a terceira eliminatória da Taça de Portugal.Yontcha vai receber altura esta sexta-feira, depois de ter sido operado ontem à noite a um menisco no joelho direito. O avançado tem um tempo de paragem estimado entre seis a oito semanas.O médio-ofensivo Fredy Adu (emprestado pelo Benfica) já se treinou sem limitações. O norte-americano esteve condicionado no apronto da passada quinta-feira devido a uma pancada no tornozelo.Está agendada nova sessão de trabalho para sábado, pelas 9.30 horas, seguida de conferência de imprensa, onde João Carlos Pereira fará a antevisão da partida com o Oriental.

Ataque continua sem funcionar


" Em oito jogos oficiais realizados azuis marcaram apenas por quatro vezesProblema identificado. O ataque do Belenenses não funciona. A equipa do Restelo marcou apenas quatro golos esta temporada, número que coloca os azuis com o pior registo da Liga. Aliás, desde 20 de Setembro, data do encontro com a Académica (1-1), que o grupo orientado por João Carlos Pereira não faz golos. E nesse dia, o marcador do Belenenses foi... o central Diakité.Quer isto dizer que faltam goleadores no plantel. Faltam jogadores que materializem em golos as oportunidades criadas pela equipa e, por isso, não se espanta que na sessão de ontem, a primeira depois do desafio com o Nacional, o treinador João Carlos Pereira tenha insistido na finalização. Porém, mais uma vez, foram poucos os remates com a direcção devida...YONTCHA Vai ser operadoEste é um problema que tende a agudizar-se, porque o melhor marcador da equipa, Yontcha (2 golos) vai parar. O avançado camaronês tem uma lesão no menisco do joelho direito e terá de ser operado em data ainda a definir pelo departamento médico do clube. Certo é que, o único avançado da equipa do Restelo que fez golos esta época vai ficar afastado dos relvados durante algumas semanas.Por outro lado, João Carlos Pereira já pode contar com o central Beto que, aparentemente, recuperou da mialgia que o afastou do desafio com o Nacional. Mano também ultrapassou o problema no adutor e está apto para o jogo com o Oriental.

Belenenses 0-1 Nacional

"João Carlos Pereira saiu «triste»....João Carlos Pereira, técnico do Belenenses, em declarações à Sport TV, no final do jogo frente ao Nacional, que os madeirenses venceram por 1-0:João Carlos Pereira, treinador de Belenses:«Reconheço que saímos frustrados e tristes pelo resultado. Os adeptos mostraram que estão do nosso lado e gostávamos de lhes ter dado outro resultado. Acredito que o vamos conseguir no futuro».«Sofremos um golo em contra ataque. Sabíamos que tínhamos pela frente um adversário que saía rápido para o ataque. O Nacional é uma equipa forte, madura e experiente. Na segunda parte quisemos entrar com mais velocidade e acho que conseguimos. Mas, com as oportunidade que tivemos, tínhamos de ter marcado. Aliás, penso que o Bracalli foi o melhor em campo».[sobre o alegado penalty na parte final do desafio:] Não gosto muito de falar nessas situações, mas são factos. Já são dois jogos em que temos penaltys a nosso favor nos últimos minutos e não são marcados. Podíamos ter ido buscar mais um ponto. Mas acho que o resultado deve-se, sobretudo, a não termos sido felizes a concretizar as oportunidades que tivemos».

« Queremos vencer um adversário difícil»

" TÉCNICO CONFIANTE NUMA VITÓRIA FRENTE AO NACIONALO técnico do Belenenses, João Carlos Pereira, está confiante na obtenção de uma vitória frente ao Nacional. Na conferência de imprensa realizada este domingo, o treinador realçou o calendário difícil dos azuis e analisou a formação insular."O Nacional é um opositor de grande respeito mas também não podemos esquecer que nos jogos que fizemos, já defrontámos três equipas muito fortes - Sp. Braga, Benfica e Sporting. De resto, o nosso calendário é muito difícil: em 9 jogos vamos defrontar os 7 primeiros classificados da época passada", afirmou o técnico português, de 44 anos.Para o encontro de amanhã, os azuis do Restelo vão ter duas baixas importantes no ataque. O camaronês Yontcha está lesionado, enquanto que Fredy encontra-se ao serviço da Seleção Nacional Sub-21. "Estou confiante que os jogadores que os substituírem vão corresponder às exigências e às expectativas que depositamos neles", sublinhou João Carlos Pereira."Queremos vencer um adversário difícil. O Nacional é provavelmente, juntamente com o Sp. Braga, o clube que tem tido um crescimento mais vertiginoso e sustentável. Temos que reconhecer que não vamos defrontar uma equipa qualquer. Tem muitos bons jogadores mas acreditamos em nós. Vamos jogar em casa e lutar pela vitória. Contamos com o apoio dos nossos adeptos", afirmou o técnico que já orientou o Nacional (2004/05).O avançado Edgar tem estado em grande destaque nos últimos jogos do Nacional. Mas técnico do Belenenses prefere destacar o coletivo dos insulares: "Mais do que estar preocupado com o Edgar, temos que estar com o Nacional. Eles não são só o Edgar. O Patacas é um jogador muito importante na manobra da equipa, bem como o Ruben Micael, que é fundamental".- " Três baixas para o NacionalDEVIC, PELÉ E DANI ENTRAM NA CONVOCATÓRIAPara o encontro frente ao Nacional, em jogo atrasado da 6.ª jornada da Liga Sagres, o Belenenses não vai poder contar com Yontcha e Mano, lesionados, bem como Fredy, por estar ao serviço dos Sub-21.Para os seus lugares, o técnico João Carlos Pereira chamou Devic, Pelé e Dani. Em relação ao último jogo do campeonato - frente ao Sporting (0-0)-, o guarda-redes Bruno Vale é preterido por Assis na lista de convocados para o encontro com os insulares, que se realiza esta segunda-feira, pelas 20.15, no Estádio do Restelo.Lista de convocados:Guarda-redes: Assis e NélsonDefesas: Cândido Costa, Devic, Rodrigo Arroz, Diakité, Beto e Tiago GomesMédios: Gabriel Gomez, Pelé, André Almeida, Barge, Celestino, Fellipe Bastos, José Pedro e IvanAvançados: Igor, Dani, Lima e Freddy Adu.

Sporting 0-0 Belenenses







"Nélson foi mestre de nau que teve Diakité ao lemeFoi excelente o trabalho defensivo do Belenenses Sem 'autocarro' e a mostrar até ao fim a convicção de que o empate não fugiriaMano (6) —Atento, não permitindo ser beliscado no flanco direito. Mais adiantado na segunda parte. Deu boa conta do recado.Diakité (7) — Um lutador que nunca vira a cara à luta. Liedson e Postiga que o digam. Foi enorme no tamanho e na acção. O comandante ideal para levar a nau azul a bom porto.Beto (6) — Podia ter marcado na sequência de um pontapé de canto (25), mas cabeceou sobre a barra. Exagerou no drible a meio-campo (30), perdeu a bola e o Sporting quase chegava ao golo. Num corte, excelente (58), evitou que Liedson facturasse.Tiago Gomes (-) —Teve de sair (12), lesionado num lance com Angulo.Celestino (6) — Jogou à frente da defesa, mas preencheu, também, o flanco direito. Numa iniciativa individual (48), quase batia Rui Patrício, depois de a bola embater num defesa do Sporting.Barge (6) — Não olhem à sua baixa estatura, que genica tem para dar e vender. Incansável. Cumpriu.Fredy (7) — Acção importante sobre a zona média. Impediu que o Sporting tivesse tempo para pensar o jogo. Jovem e determinado e com capacidade de iniciativa.José Pedro (6) —Numa iniciativa individual (42) concluída com remate rasteiro, obrigou Rui Patrício a defesa apertada. No final, um belo passe para Lima foi anulado pelo guarda-redes.Yontcha (5) — Apagado e muito desapoiado. Saiu aos 65 minutos.Lima (5) — Apareceu mais na segunda parte do jogo, mas sem criar perigo.Gomez (6) — Entrou para o lugar de Tiago Gomes (15) e entrou bem, dinamizando a zona de meio-campo.Adu (3) — Entrou (65) e foi útil a gerir o tempo.Felipe Bastos (3) — Não se viu.- " JOÃO CARLOS PEREIRA«A equipa está numa evolução favorável»Técnico foi sereno na análise a um empate que soa a proeza no 'derby' de Alvalade, resultado que considerou justoTRADICIONALMENTE, é difícil o Belenenses pontuar em Alvalade. O empate foi o resultado mais justo?— Sim. Conseguimos um empate num campo extremamente difícil. Todos pensavam que defrontaríamos um Sporting a viver um momento menos bom, bem pelo contrário! Entrou muito forte no jogo. Estávamos preparados, sustivémos o caudal ofensivo avassalador. Depois, sofremos uma contrariedade, a lesão de Tiago Gomes, que nos forçou a gastar uma substituição, um trunfo que poderia ser importante lá mais para diante no jogo. Mas entrámos muito bem na segunda parte. Com uma pontinha de sorte conseguimos um resultado que premeia o labor da equipa.– Sente que a equipa tem margem para crescer muito mais?- Está em crescimento, e a evolução tem sido muito favorável. São muitos jovens jogadores, ainda em formação. Vão crescer mais.

«Não há atrasos com os salários»



"ENTREVISTA EXCLUSIVA RECORD/ANTENA 1 (PARTE 3)RECORD - No passado foram assumidos problemas com o pagamento de salários. Como têm decorrido as coisas esta época?JOÃO CARLOS PEREIRA - Felizmente as coisas estão a correr muito bem, até porque as pessoas que estão à frente do clube têm como princípio cumprir as obrigações. Nesse sentido estamos todos juntos nesta caminhada e, até à data, estamos satisfeitos. Não há atrasos com os salários. Mais: os jogadores receberam o primeiro vencimento antes da hora.- " João Carlos Pereira: «Num dia bom podemos causar sensação em Alvalade»Em vésperas de defrontar o Sporting, o treinador do Belenenses desvaloriza o mau momento do adversário e recorda a ingenuidade da sua equipa com o Benfica. Diz que o empate seria um bom resultado mas acrescenta que não sabe preparar equipas só para não perderRECORD - O mau momento do Sporting, acrescentado pelos castigos de Paulo Bento, Miguel Veloso e Polga, constituirá uma vantagem para o Belenenses?JOÃO CARLOS PEREIRA - Penso que não. Uma equipa vale pelo seu todo e os planteis são concebidos para dar resposta às contingências de toda a época. Quem jogar tem certamente qualidade e domina as tarefas, bem como os princípios do posicionamento tático...R - Mas o peso relativo de Miguel Veloso na equipa tem sido enorme. Será mesmo o jogador do Sporting em melhor forma...JCP - Pode ser uma vantagem para nós. Mas o seu afastamento vai dar oportunidade a outro jogador que virá com mais ambição ainda. É evidente que as rotinas coletivas intra e inter sectores podem ressentir-se um pouco, mas com jogadores de tão elevada qualidade é fácil ultrapassar essas aparentes desvantagens.R - Este é um bom momento para defrontar o Sporting?JCP - Todos os momentos são bons para jogar com bons adversários, que nos coloquem à prova e nos desafiem. É assim que encaramos este jogo.R - Ao contrário de si, que já ganhou pelo Nacional, o Belenenses nunca venceu em Alvalade para o campeonato...JCP - É mais um ingrediente. Da última vez que lá fui venci mas agora o contexto é outro, o momento e os interpretes também. De qualquer forma, acredito que num dia bom podemos causar sensação em Alvalade.R - O empate não seria já um bom resultado?JCP - Um empate é sempre bom resultado frente a adversários como o Sporting, principalmente atendendo ao facto de o jogo ser fora de casa. Mas nós preparamo-nos para ganhar. Aliás eu, como treinador, não me vejo a trabalhar a minha equipa só para não perder. O nosso projeto coletivo de jogo tem linhas orientadoras muito claras quanto a isso. Queremos ser uma equipa comprometida com a qualidade do futebol, razão pela qual apostamos num jogo positivo. Representamos um dos grandes clubes do nosso futebol, que tem um nível de exigência elevado, e sabemos que para vestir esta camisola é preciso determinado perfil. Os nossos adeptos, bem como a administração, primam por uma exigência que já nos contagiou.R - Mesmo tendo isso em conta, o Belenenses apresentar-se-á com mais cuidados defensivos do que é habitual?JCP - Acima de tudo teremos cuidados com o equilíbrio. Quanto estivermos a atacar queremos a equipa bem posicionada, porque podemos perder a bola a qualquer momento e não queremos ser surpreendidos. Do mesmo modo, quando não tivermos a bola teremos de estar preparados para sair a jogar, ações que já executamos com alguma facilidade e nas quais, reconhecemos, o nosso adversário não é tão forte.R - O jogo com o Benfica é o ponto de comparação do Belenenses para defrontar o Sporting. Considera que a sua equipa foi ingénua nesse embate?JCP - Não deixo de concordar com a ideia mas há outras factores a ter em conta. Somos uma equipa em formação e, além disso, temos jogadores em processo de formação. Frente ao Benfica apresentámos uma equipa com alguns ex-juniores mais um que ainda é júnior, facto que confirma a nossa juventude. Quando se começa a preparar uma equipa, e nós temos consciência do caminho que estamos a percorrer e de onde pretendemos chegar, há sempre avanços e recuos. E aquele nível de exigência, com estádio cheio, frente a um grande clube, precipitou alguma debilidade da nossa parte.R - Os seus jogadores tremeram um pouco, foi isso?JCP - É um processo natural para quem está a dar os primeiros passos e que, de repente, se vê obrigado a correr. Mas frente ao Benfica ainda houve outra situação: por culpa própria, sofremos um golo cedo que nos obrigou a abandonar uma postura mais conservadora. E isso expôs-nos ao ponto mais forte do adversário: as suas transições ofensivas. Apesar de tudo, mantivemos a equipa sólida e penso que fomos prejudicados num ou noutro lance. No fim, por sermos uma equipa ambiciosa, que luta sempre pelo melhor resultado, expusemo-nos, tivemos de arriscar e, naturalmente, o Benfica aproveitou. Desse jogo tirámos a ilação de que ainda não estávamos suficientemente fortes para defrontar uma equipa com aquela dinâmica e aquele potencial. Problemas que, como se tem visto, têm afetado outras equipas da Liga.R - Foi uma lição importante para o jogo com o Sporting?JCP - Foi mais uma vivência. Nós temos de pensar que a experiência não é o que nos acontece mas o que fazemos com que nos aconteça. Somos uma equipa jovem, estes jogadores estão a crescer e não tenho dúvidas de que a médio/longo prazo teremos uma equipa com outro tipo de estrutura para fazer frente a estas exigências.R - Acha que o Sporting está um passo atrás dos outros candidatos ao título?JCP - Diria que é um Sporting mais intranquilo. Continua a ser uma equipa forte o que nem é surpreendente porque, bem vistas as coisas, não mudou muito em relação a épocas anteriores. Tem o mesmo treinador, um trabalho de continuidade bem assimilado e, mais do que uma equipa com menor rendimento, é uma equipa intranquila mas que, a espaços, já apresentou coisas muito boas.R - É uma equipa que tem revelado muitas debilidades em termos defensivos... Concorda com isso?JCP - Concordo, até porque não há equipas perfeitas. O próprio Benfica, muito forte em termos defensivos, num momento ou noutro passou por dificuldades no jogo connosco. Não há equipas perfeitas. Quanto ao Sporting, tentaremos explorar essas lacunas, porque isso faz parte da oposição estratégica do jogo. As forças e fraquezas de uns e outros são para ter em conta.R - No meio desta polémica à volta da arbitragem, o que espera do árbitro Carlos Xistra?JCP - Espero um trabalho que sirva os interesses do futebol.R - Reformulando a questão: acha que o árbitro vai a Alvalade tranquilo depois de semana tão conturbada?JCP - Ele vai ter de ir a Alvalade completamente tranquilo, porque essa é uma das exigências do perfil psicológico de um árbitro, que tem de ser isento, ajuizar corretamente e estar bem preparado a todos os níveis para resistir a tudo o que se passa à sua volta.R - O treinador do Belenenses não está, portanto, de pé atrás em relação a isso...JCP - Acredito que os árbitros vão fazer bom trabalho. Cometem erros como todos, eu já fui prejudicado esta época mas sei que um dia serei beneficiado... O futebol também é feito de erros de arbitragem. Nunca conseguiremos erradicá-los, porque o erro anda de mãos dadas com a competição.

" João Carlos Pereira: «Considero-me um treinador de projetos»RECORD - Quando chegou ao Belenenses não sabia em que escalão iria jogar. Não hesitou antes de aceitar o convite?JOÃO CARLOS PEREIRA - Não. É difícil recusar um clube com esta carga histórica e que nos coloca elevadas exigências, mais ainda quando está adjacente uma ideia aliciante que ia ao encontro das minhas ambições. Não olhei para trás, até porque começar no ano zero ou no menos um o importante era dar início ao projeto. Que, de resto, me pareceu ideal para a evolução da minha própria carreira.R - Afirmou no dia da apresentação que era um grande salto na sua carreira. Por que disse isso?JCP - Porque tenho consciência da dimensão do clube. Sem menosprezar todos os outros por que passei, este é diferente. Está mais perto do poder central, é da capital do país e proporciona maior notoriedade ao nosso trabalho na comunicação social, por exemplo. Sentimo-lo todos os dias. Para o bem e para o mal, é certo, mas essa é uma realidade que temos de encarar de forma positiva e otimista. A Académica também é um clube especial, porque está enquadrado numa zona geográfica e social específica, com massa associativa muito jovem. Mas o Belenenses tem outro peso: foi campeão nacional, tem uma dimensão que ultrapassa as fronteiras, mais que não seja por transportar a cruz de Cristo, e tem massa crítica muitíssimo apurada. É um grande desafio.R - A aposta na formação é circunstancial ou obedece à visão de que o futuro passa pelo aproveitamento da juventude?JCP - Eu considero-me um treinador de projetos e fiquei extremamente regozijado com o convite da SAD, com a qual tenho sentido enorme empatia. Por convicção, estamos alinhados nesta ideia. Reconheço que a via mais fácil para chegar depressa aos resultados é ter recursos para ir ao mercado e adquirir os melhores jogadores. Porém, acredito no meu trabalho e nos meus colaboradores. No Belenenses existe uma estrutura consciente e muito motivada em levar por diante este trabalho - e não falo só da equipa técnica. Acreditamos no que estamos a fazer, seguros de que vamos encontrar muitos obstáculos pelo caminho. Mas temos a certeza, jogadores incluídos, de que este rumo nos vai trazer coisas muito boas. Estamos a dar os primeiros passos num novo ciclo, reconhecendo que o contexto económico-financeiro do clube precipitou este tipo de aposta.R - É uma aposta para continuar?JCP - Das conversas que temos tido creio que é para continuar. Ainda há pouco tempo o nosso presidente manifestou o desejo da construção de um centro de treinos. De facto faltam-nos infra-estruturas para desenvolver um trabalho de qualidade, capaz de nos ajudar na concretização de um programa que visa a produção de jovens futebolistas com potencial para as exigências do futebol de hoje. É um grande desafio mas estamos motivados para assumi-lo sem hesitações e ganhá-lo. Todos estamos conscientes de que é preciso arregaçar as mangas e ir à luta. Creio que os próprios adeptos já entenderam que este trabalho vai demorar algum tempo embora isso não nos retire ambição no imediato - continuamos a querer ganhar, porque só assim faz sentido um clube de futebol. De resto, as vitórias fazem saltar etapas na formação de um jogador e de uma equipa.R - Dúvida nenhuma de que esse é um projeto coletivo para o futuro do Belenenses...JCP - Dúvida nenhuma. Mas é um projeto que, neste momento, precisa de intervenções dos diversos quadrantes da ação do clube. Temos muito claro o que queremos mas há dificuldades que não são ultrapassáveis para já. Para termos sucesso há quatro ou cinco factores fundamentais: tomar consciência política e social do que é preciso fazer; existirem condições, infra-estruturas e recursos para pôr o projeto em prática; apetrechar o clube com recursos humanos adequados, pessoas com know-how nas mais variadas áreas (do ponto de vista de liderança técnica nós temo-lo); o apoio das pessoas que giram à volta do clube, dos adeptos acima de todos e, por fim, um pouco de paciência para esperar que os resultados apareçam. O tempo corre a favor do Belenenses e nós temos todo o potencial dentro do clube para desenvolver este percurso.R - Depois de formar um plantel quase todo novo, foi difícil convencer os jogadores a vir para o Belenenses?JCP - Eu acredito na mobilização das pessoas. Houve jogadores dispensados que aceitaram baixar os ordenados para darem continuidade ao trabalho no clube, prova de que confiavam neles próprios, na nova orientação técnica e no futuro de uma forma geral. Os que entraram foram confrontados com as nossas ideias e eu próprio tive conversas individuais para que soubessem qual era o nosso projeto, o que esperávamos deles e o que podiam eles esperar de nós. A situação é muito clara e a sintonia é total. Voltando à questão, no início não foi tão fácil assim, até porque os nossos recursos financeiros não eram o que foram num passado recente. Não quero entrar muito por aí, mas a época passada foram gastos à volta de 10 milhões de euros.R - Esta época vai gastar quanto?JCP - Não poderei dizer concretamente quanto mas sei que é o orçamento mais baixo dos últimos dez anos no clube.R - À volta de 3 milhões de euros?JCP - Provavelmente. E não nos esqueçamos de que a esta administração vai ter de fazer face a compromissos herdados do passado e que fazem parte deste orçamento. Portanto, todos nós reconhecemos as limitações, que estamos quase a trabalhar sem rede mas, mesmo assim, entendemos que esta oportunidade era para ser agarrada.- " João Carlos Pereira: «Estávamos preparados para perder Júlio César»RECORD - Como reagiu à perda do Júlio César para o Benfica, a poucos dias do arranque oficial da época?JOÃO CARLOS PEREIRA - Faz parte do nosso trabalho antecipar cenários e já tínhamos essa hipótese preparada, como teremos outras. Infelizmente encontrámos um clube que do ponto de vista da estrutura de apoio à equipa de futebol não era de elevado rendimento. Não temos um gabinete de prospeção organizado mas sabíamos (e sabemos, claro) o que tem de ser feito. Quando chegámos, fomos logo confrontados com a possibilidade de o Júlio César sair. Por um lado ficámos felizes com a promoção que o clube lhe proporcionou e pelo retorno financeiro que a operação permitiu. Agora, estamos muito satisfeitos com o Nélson, que tem feito o que já esperávamos.R - Júlio César tem condições para ser titular do Benfica a curto ou médio prazo?JCP - Antes de surgir a possibilidade da transferência para a Luz, cheguei a dizer-lhe que o salto na carreira seria uma questão de tempo. É um guarda-redes com muito potencial e estava a fazer um excelente trabalho. Quanto à questão, sei que o Jorge Jesus tem um conhecimento muito profundo do futebol e mais ainda dos jogadores com quem trabalha ou trabalhou. Também nessa perspetiva, acredito que o Júlio César tem condições para discutir um lugar na baliza do Benfica. A única questão que posso colocar é o peso excessivo da camisola e a pressão inerente a um grande clube. Mas creio que ele vai superar tudo isso, até porque tem um histórico no Brasil suficientemente forte nesse capítulo.- " João Carlos Pereira: «Fellipe Bastos e Adu têm potencial tremendo»RECORD - O que espera de jogadores emprestados como Fellipe Bastos e Freddy Adu?JOÃO CARLOS PEREIRA - São dois futebolistas com potencial individual tremendo. O Adu cresceu num ambiente de estrelato mas a verdade é que só agora está a dar os primeiros passos no profissionalismo. Porque nos Estados Unidos as exigências não são as mesmas, precisa ainda de encontrar um ponto de equilíbrio. Insisto que ele e o Fellipe Bastos são jogadores com qualidade individual de excelência mas têm ainda de perceber melhor a lógica do jogo. Têm uma base indiscutível para serem grandes futebolistas mas precisam de aperfeiçoar alguns aspetos. Acredito que, com tempo e a nossa ajuda, poderão evoluir como esperamos.- " João Carlos Pereira: «Estoril foi boa experiência»RECORD - Só dois anos depois de regressar do Kuwait voltou a treinar em Portugal. Foi por falta de oportunidades?JOÃO CARLOS PEREIRA - Foi por falta da oportunidade que eu queria. Oportunidades houve e até estive próximo de voltar... Mas nem sempre encontramos o contexto adequado para que as coisas funcionem.R - Regressou ao serviço de um Estoril cheio de problemas. Não se arrependeu de o ter feito?JCP - Eu estive dois anos fora mas, ao mesmo tempo, dentro do futebol. Fui pela Europa fora ver como se trabalhava nos clubes de topo e pude contactar de perto com alguns treinadores da primeira linha. Tentei encontrar uma matriz própria de cada futebol e refleti muito sobre o jogo. Quando regressei optei pelo Estoril por considerar uma oportunidade interessante. A equipa vinha de uma boa época mas tinha começado muito mal, embora reconhecesse que havia muito potencial. Quando entrei, o João Lagos, como pessoa de bem, pôs-me a par do contexto financeiro do clube. E eu tinha duas opções: ficava de fora mais algum tempo ou abraçava o projeto. Decidi que podia inverter a tendência negativa no clube e aceitei. Valeu a pena. É nas dificuldades que vemos a grandeza das pessoas. E mesmo considerando que é uma situação a não repetir, que não recomendo a ninguém, foi uma experiência enriquecedora.

«Não preparo a equipa consoante o momento do adversário»

JOÃO CARLOS PEREIRA E A FASE ATUAL DO SPORTINGO técnico João Carlos Pereira garantiu hoje, durante a conferência de imprensa que abordou o dérbi com o Sporting, que o Belenenses "não preparo a equipa consoante o momento do adversário, mas sim para vencer os jogos".Questionado sobre se este é um bom para defrontar a equipa de Paulo Bento, o treinador de 44 anos remete a resposta para o final do encontro: "Essa é uma falsa qestão. Sabemos que o Sporting é um adversário forte e com muito potencial. No final do jogo, logo sabemos se é bom ou mau..."Relativamente ao fato dos leões não poderem contar com alguns titular, o técnico dos azuis foi lesto na resposta: "O Belenenses, tal como o Sporting são mais do que 11 jogadores. Os clubes têm um plantel para fazer face às exigências e contrariedades."

«Aproveitar intranquilidade do Sporting»

" João Carlos Pereira diz que o Belenenses vai procurar tirar partido da «intranquilidade do Sporting» no derby do próximo domingo, mas não espera facilidades diante de um adversário com «elevado potencial».«Há diversos factores que vamos tentar aproveitar, entre os quais a intranquilidade do nosso adversário. Se bem que temos consciência que vamos encontrar uma equipa com elevado potencial e que joga em sua casa», disse o treinador dos ‘azuis’ do Restelo, em declarações à Antena 1.Confrontado com a ausência de Paulo Bento no banco do Sporting, João Carlos Pereira considera que a mesma «não vai dar vantagem absolutamente nenhuma» à sua equipa. «Nós concentramo-nos em questões mais operacionais do jogo», explica.